Apatia de novembro
Cada batida no meu peito exige esforço
Cada inspiração, força de vontade que não tenho
A apatia invadiu meu ser
mais uma vez
Terei algum dia sossego?
Sei que é apenas uma onda
mas até o menor dos movimentos me cansa
Sei que isso também passará
até lá, a existência me fatiga
Não me sinto bem em nada
A boa filha
aluna aplicada
amiga dedicada
moça cheia de luz
saiu de férias
não sei onde está
tampouco quando voltará
Onde foi parar minha confiança?
Ainda ontem, cá estava
Em seu lugar, sobrou a garotinha insegura
é uma retrospectiva dolorosa
Detesto a solidão
mas não tenho forças para a companhia
Sinto-me boiar
- não sei se quem está morto é meu corpo ou o mar -
as ondas me levam a lugares estranhos
e cansei de nadar
Isso também passará
sim, eu sei
vou me permitir um pouco de dor
quem sabe ela me faça sorrir depois
Normalmente não posto meus textos mais tristes. Gosto de mostrar coisas felizes, que tragam esperança a quem lê e que não exponham a tristeza que me toma vez ou outra. No entanto, tristeza é algo natural a nós, não é? Essencial, eu diria. Não tenho estudo ou experiência o suficiente para analisar esse sentimento com tanta propriedade, mas acredito que ele seja como um balde de água fria. De início, dói, mas nos ajuda a ver o futuro com mais clareza depois de um tempo.
Eu reencontrei esse poema há alguns dias, por acaso. Não me lembro o que me abateu durante o mês de novembro, mas certamente foi algo que me tirou esperanças. Me conhecendo, sei que não via a hora daquilo passar, e provavelmente tinha a sensação de que tal dor duraria por uma eternidade. Pois é… Eu a esqueci por completo depois de poucos meses.
Acho que é bom olhar situações ruins, em retrospecto. Claro, certamente pode ser algo doloroso… Mas é encorajador, também. Saber que passou por algo que lhe abalou, mas não o suficiente para desistir. Isso dá forças. Faz com que você acredite um pouco mais em si mesmo e em sua capacidade de superar os obstáculos. É o olhar sóbrio depois do balde de água fria.
Espero que tanto a leitura do poema quanto a desta pequena reflexão ajude. Tristeza, por mais terrível e repulsiva que nos possa parecer, é necessária. Saberíamos o que é a alegria sem ela, afinal? Que se explodam a positividade ininterrupta e o culto à felicidade. São armadilhas que — ironicamente — apenas trazem angústia. Abracemos a melancolia. Ela também passará, no fim das contas. Não importa o tempo: dias, semanas, meses, anos… O fato é que saímos mais fortes se formos capazes de aguentar. O orgulho que sentimos de nós mesmos, quando nos lembramos da dor… Não acho que exista sensação tão revigorante quanto essa pequena felicidade.
O que você acha sobre esse assunto? Concorda com o que escrevi? Discorda de tudo? Deixe aqui nos comentários a sua opinião, terei muito prazer em lê-la!
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