Carência nossa de cada dia
Nunca me considerei uma pessoa muito dependente. Desde pequena, sempre fui muito “eu por mim mesma”, fosse nas amizades da escola ou nas viagens que fazia sem meus pais. Aprendi cedo a gostar de minha própria companhia, e sei que posso sobreviver — e ficar bem — estando só. Eu seria mentirosa, porém, se dissesse que nunca senti carência. Qualquer um que o dissesse mentiria. Afinal, que atire a primeira pedra quem nunca sentiu aquele aperto no fundo do peito ao ver um casal praticamente perfeito, fosse em filmes, livros ou vida real. Solteiro, namorando ou casado, qualquer um já passou por isso em algum momento. Durante a quarentena, então, nem se fale. Já disse que nunca fui muito dependente de ninguém, mas ai de meu pobre coração há algumas semanas, assistindo a filminhos melosos da Netflix e sem ter o mínimo contato com praticamente nenhum ser vivo de fora de casa. Como foi duro aceitar o fato de ser solteira! E o que fazer nessas horas? Há alguns meses, era possível sair com am...