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Mostrando postagens de maio, 2020

Amores Líquidos

Amei por amar? Ou amei por não achar distração melhor? No meu amor amei como se não houvesse amanhã desesperei-me como se não houvesse um depois no meu amor, também, afastei-me como se não quisesse fugi com medo de ser atropelada pelo carro e depois pelos bois Afinal, o que sei sobre amor? Amar, o que é? “É fogo que arde sem se ver”, diz Camões “É um calafrio doce, susto sem perigos”, continua Rosa “É quando seu dente cai e os outros continuam gostando de você mesmo sem uma parte sua”, completa a criança. O que eles sabem sobre amar, afinal? Amor, quem você é? Amor existe, aliás? Ou afogou-se mergulhou   no líquido desse mundo triturado pelo liquidificador das relações e não voltou? Procura-se o amar! Perdeu-se nesse mar de gente que não faz outra coisa senão procurar E o que procuram? Buscam felicidade essa que não se pode achar publicam-na e invocam-na, escrevem na lousa com gizes de cera cujo pó irrita os ...

Reflexões de uma noite só

Estou só Só eu Eu, e só com meus sentimentos, pensamentos e utopias minhas paranoias, convicções e crenças a serem quebradas Será mesmo que essa onda é parte de mim, ou eu consigo partir dela? Esse aperto no peito, o nó na garganta serão sempre presentes? Pressinto que sim, esperando que não mas quem sabe? O amor é mesmo uma ferida que dói, mas não se sente? Ou é uma daquelas picadinhas de mosquito que não doem, mas importunam? Estou só mas há algo em mim que ansiava por não estar Eu, só(,) me sinto vagando no grande nada relembrando tudo que poderia ter sido e não foi todos os nós que poderia ser mas que se desataram em minhas mãos E eu não deveria bastar? Apenas deixar-me transbordar, sem nada faltar Falta-me o meu amor? Ou o que me falta é entretenimento? Será que o tédio me corrompeu ao ponto de precisar de outrem para me fazer feliz? A paranoia me estragou ao ponto de não querer ...

O Sorriso

Já conheceu alguém com um sorriso tão branco que chega a ser estranho? Eu já, muitos anos atrás. E sei que jamais esquecerei aquele sorriso - mesmo que queira. Eu tinha apenas 9 anos na época; um circo novo acabara de chegar na cidade. A divulgação foi maravilhosa: trupes de palhaços brincando com as crianças na rua, homens coloridos fazendo malabarismo com tochas ardentes, mulheres lindas sobre pernas de pau enormes e músicos tocando melodias alegres à frente de tudo isso. Como qualquer outra criança, não pude resistir àquela saborosa e eufórica explosão de cores, e logo convenci meus pais a me levarem ao espetáculo. No grande dia, minha animação já havia chego à níveis supremos; não conseguia pensar em outra coisa além da hora em que o circo ganhasse vida. Portanto, assim que as músicas começaram a tocar ao longe anunciando que o espetáculo já iria começar, saí correndo de casa na esperança de conseguir um bom lugar, arrastando meus pais comigo. Ao chegarmos ao local, quase d...