Meu narizinho empinado

   Às vezes me acho um tanto quanto petulante. Nesses último dias, escrevendo textos de amor, sobre amor próprio, questionando e até duvidando - veja se pode uma coisa dessas - de autores consagrados como Camões e Guimarães Rosa. Uma menina de 17 anos nas costas se comparando a Drummond! Fiquei me perguntando quem eu pensava que era. Acaso me julgava ser tão boa quanto ou, ainda, melhor que eles? Achava que seria o próximo nome a ser estudado nas aulas de literatura? E o que eu penso que sei sobre amor?
   As respostas para cada uma dessas perguntas convergem a um único fato sobre mim: sou um pouco petulante, sim. Por mais que eu tente me manter abaixo do nível de orgulho, reduza minhas considerações sobre as coisas que faço, a verdade é que uma parte de mim é tão orgulhosa que eu simplesmente não consigo olhar para mim e pensar: "é, até que é boazinha". Mais que isso, não posso pensar assim sobre mim, sobre minhas capacidades, minhas criações. Quando era mais nova, costumava dizer às pessoas - olha lá, a petulância da criança querendo ter frase de efeito autoral - que, se eu não me amasse, quem é que iria? Claro que eu dizia isso como forma de brincadeira na maior parte do tempo, mas hoje lembro disso e penso: "não é que eu tinha razão, no fim das contas?". Não que ninguém vá me amar, sei que existem pessoas que me amam - e muito! -, mas, indo além do amor próprio, se eu mesma não acreditar em mim, como posso esperar que outros irão?
   Ultimamente, tenho percebido uma coisa muito interessante a respeito de como as pessoas têm agido nos nossos dias: elas se reduzem a menos que nada. Acredito que você conheça pessoas assim. Não importa o quão talentosa, carismática, inteligente, bonita, e tantos outros atributos que existam, ela só fala ou compartilha coisas do tipo "sou um lixo". Eu não sou nenhuma estudiosa de comportamento social - bem longe disso, aliás -, mas vendo a quantidade de pessoas com potencial praticamente infinito se desmerecendo, duas dúvidas surgiram na minha mente: estamos passando por um surto de baixa autoestima sem precedentes ou, de uma hora para outra, isso se tornou um tipo de norma social?
   A verdade é que existe uma série de motivos para isso tudo. Perda de referência da família, falta de contato, influência da mídia, falsa felicidade, dentre várias outras coisas. Vivemos em um mundo doente, com pessoas cada vez mais enfermas e com insuficiência de autoestima. Porém, não é especificamente sobre isso que venho falar - até porque assuntos assim merecem ser desdobrados em pelo menos outros três textos -, mas sobre como pessoas petulantes como eu se encaixam nesse mundo. Se você é como eu, deve viver em conflito interno constante, andando sempre na corda bamba e procurando não atravessar a linha tênue que separa a autoconfiança da arrogância. Não que eu seja uma referência de autoestima perfeita - meu psicólogo que o diga -, mas é complicado evitar pisar os ovos sempre que o assunto é suas próprias qualidades.
   Todos nós precisamos aprender a diferenciar arrogantes de confiantes. E nós, petulantes, precisamos saber como nos portar para não sermos vistos como "malas-sem-alça". É claro que reconhecer-se como alguém de valor, útil, com talentos e potenciais, é algo válido e que não pode ser ignorado. Na nossa sociedade, no entanto, não é comum encontrar tantas pessoas que se amem em público, que afirmem verdadeiramente suas próprias qualidades. Eu já presenciei diversas vezes pessoas que, ao fazerem um discurso inofensivo em suas cabeças, foram taxadas de presunçosas, e nem sempre isso é necessariamente verdade. Lógico, tem muito falso-humilde nesse mundo e ninguém aqui tem paciência de aguentar um por muito tempo, mas às vezes a pessoa nem havia se dado conta do estrago que tinha feito até levar uma bofetada na cara. Tudo porque não sabemos nos comunicar bem.
   Se eu subisse num banquinho e gritasse em um megafone como escrevo bem ou como sou maravilhosa, é claro que pegaria mal - até por qual razão eu faria isso senão para me mostrar? O segredo não é o que você fala, mas como fala. É muito bom e saudável olhar para si mesmo, enxergar coisas boas e querer compartilhá-las com o mundo. Só não confunda "ser bom" com "ser o melhor" ou com "estar acima da média". A "média" tem seus próprios talentos, uma coisa que também faz cada um nela ser único. Assim, se eu escrevo meus textos me comparando a grandes escritores, com um leve toque de ironia e licença poética, eu me afirmo e nenhum poeta é ferido no processo. Ser petulante de vez em quando é bom, afinal. A humildade é uma virtude fundamental, mas a vaidade também é, e eu me esforço todos os dias para mantê-la por perto. E, talvez seja petulância da minha parte dizer que, para ser um bom petulante, é preciso um pouco de esforço e talento.
   

Comentários

  1. eu amei, principalmente quando vc fala para não confundir "ser bom" com "ser o melhor" acho q munta gente devia adotar isso pra vida ksks Eu amei !!!!!

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  2. Amei suas palavras e dentro de uma inteligência e humildade de k ser bom e se ver nao ser o melhor .a cada dia te admiro mais por ter se tornado essa moça linda e inteligente .

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  3. Simplesmente fantástico o texto. A forma de escrita me lembra vários escritores que admiro muito.

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