Sem conteúdo
Se existe algo mais frustrante e capaz de tirar alguém do sério que bloqueio criativo, eu desconheço. A vontade de escrever, desenhar, compor, ou seja lá o que você esteja planejando fazer, está ali, mas essa força maléfica impede o nascimento de qualquer projeto que possa surgir. No meu caso, com um blog de textos para manter, eu me esforço para escrever ideias originais e de uma forma que, não apenas faça sentido, mas que fique agradável de ler. Muitas vezes, eu consigo sentir as palavras pulsando no meu peito, implorando para sair e se acomodar numa folha de papel - ou na tela do laptop, no caso -, mas não consigo pensar em nada interessante o suficiente para tirá-las de mim. E, por tudo que é mais sagrado, como isso é irritante.
Quando acontece, eu procuro por algo que possa me dar ideias novas. Ouvir música, ler um livro, conversar com algum amigo ou olhar pela janela do meu quarto, para as casinhas que me rodeiam e para as pessoinhas que vez ou outra dão o ar de sua graça na rua lá embaixo. Ás vezes isso dá certo, outras não. E, francamente, como é triste quando não dá. Tantos sons nesse mundo, tantos livros nessas prateleiras, e nenhum se digna a me tocar o coração? Uma vista tão bonita do alto do prédio onde moro, e nenhuma inspiraçãozinha sequer? Será esse bloqueio tão grande quanto a Serra da Mantiqueira, me envolvendo e me cercando até que eu esteja presa em um vale de desespero?
Verdade seja dita, todos nós passamos ou passaremos por essa mini tortura. A inspiração está ali. No verde das árvores, no canto dos pássaros, no sorriso de um bebê, na grandeza do céu. Só você não vê. Seu cérebro sádico, sem imaginação, atiça a vontade mas não libera a criatividade. E eu, como fico? Fico aqui, olhando para um espaço branco, tentando achar palavras que combinem juntas. Escrevo, apago, escrevo - olha, isso até que ficou bom -, escrevo mais um pouco - não, tá um lixo -, apago, apago, apago. Restam então duas opções: desistir da empreitada ou fazer um serviço meia-boca. Escolher uma depende apenas da força de vontade - ou teimosia - que ainda se tem.
Hoje peguei o computador e quis escrever crônica. Crônica é fácil, não é? Você pega um assunto qualquer, discorre sobre ele, fala quantas asneiras quiser e ainda elogiam seu texto. Hum, quem dera. Para alguém que não sofra de inimaginação crônica, talvez. Mas foi apenas eu pousar os dedos no teclado que começou: escrever sobre o que? Algo importante? Algo ridículo? Quero fazer o leitor refletir sobre a sociedade ou rir das minhas piadas toscas? Talvez eu deva escrever algo inédito... Mas há algo nesse mundo que algum Drummond da vida não tenha registrado em palavras impecáveis, insuportavelmente bonitas e poéticas?
Para minha sorte, quando me falta o assunto e nenhum de meus esforços para encontrá-lo tem êxito, ainda tenho meu coringa - e de todo cronista que se preze - na manga: a falta de assunto. Que tema mais atual, mais universal, que bloqueio criativo? É aquilo: se não pode vencê-lo, junte-se a ele. No caso, discorra sobre ele e tente fazer um bom texto com isso, ou pelo menos um que faça com que a pessoa leia até o final. Um tanto quanto paradoxal, o assunto ser justamente a falta dele, mas é assim que as coisas são. O amor faz rir e faz chorar, as lágrimas desanimam e revigoram, quanto mais se vive mais se morre, e por aí vai. No fim das contas, estão aí meu assunto e minha crônica. Nada como um bom clichê para encher linguiça e deixar a consciência mais tranquila por ter conseguido escrever algo.
Quando acontece, eu procuro por algo que possa me dar ideias novas. Ouvir música, ler um livro, conversar com algum amigo ou olhar pela janela do meu quarto, para as casinhas que me rodeiam e para as pessoinhas que vez ou outra dão o ar de sua graça na rua lá embaixo. Ás vezes isso dá certo, outras não. E, francamente, como é triste quando não dá. Tantos sons nesse mundo, tantos livros nessas prateleiras, e nenhum se digna a me tocar o coração? Uma vista tão bonita do alto do prédio onde moro, e nenhuma inspiraçãozinha sequer? Será esse bloqueio tão grande quanto a Serra da Mantiqueira, me envolvendo e me cercando até que eu esteja presa em um vale de desespero?
Verdade seja dita, todos nós passamos ou passaremos por essa mini tortura. A inspiração está ali. No verde das árvores, no canto dos pássaros, no sorriso de um bebê, na grandeza do céu. Só você não vê. Seu cérebro sádico, sem imaginação, atiça a vontade mas não libera a criatividade. E eu, como fico? Fico aqui, olhando para um espaço branco, tentando achar palavras que combinem juntas. Escrevo, apago, escrevo - olha, isso até que ficou bom -, escrevo mais um pouco - não, tá um lixo -, apago, apago, apago. Restam então duas opções: desistir da empreitada ou fazer um serviço meia-boca. Escolher uma depende apenas da força de vontade - ou teimosia - que ainda se tem.
Hoje peguei o computador e quis escrever crônica. Crônica é fácil, não é? Você pega um assunto qualquer, discorre sobre ele, fala quantas asneiras quiser e ainda elogiam seu texto. Hum, quem dera. Para alguém que não sofra de inimaginação crônica, talvez. Mas foi apenas eu pousar os dedos no teclado que começou: escrever sobre o que? Algo importante? Algo ridículo? Quero fazer o leitor refletir sobre a sociedade ou rir das minhas piadas toscas? Talvez eu deva escrever algo inédito... Mas há algo nesse mundo que algum Drummond da vida não tenha registrado em palavras impecáveis, insuportavelmente bonitas e poéticas?
Para minha sorte, quando me falta o assunto e nenhum de meus esforços para encontrá-lo tem êxito, ainda tenho meu coringa - e de todo cronista que se preze - na manga: a falta de assunto. Que tema mais atual, mais universal, que bloqueio criativo? É aquilo: se não pode vencê-lo, junte-se a ele. No caso, discorra sobre ele e tente fazer um bom texto com isso, ou pelo menos um que faça com que a pessoa leia até o final. Um tanto quanto paradoxal, o assunto ser justamente a falta dele, mas é assim que as coisas são. O amor faz rir e faz chorar, as lágrimas desanimam e revigoram, quanto mais se vive mais se morre, e por aí vai. No fim das contas, estão aí meu assunto e minha crônica. Nada como um bom clichê para encher linguiça e deixar a consciência mais tranquila por ter conseguido escrever algo.
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